Literatura no ENEM: conheça melhor o Realismo e o Naturalismo!

Confira e saiba mais sobre essa estética literária tão comum na prova

Literatura no ENEM: conheça melhor o Realismo e o Naturalismo!
TEXTO ELABORADO POR: Profª. Albenize Soares

Olá, pessoal! A essa altura, vocês já devem ter percebido que a maioria das estéticas/escolas literárias surgem com ideologias que se contrapõem à anterior, não é?! Isso acontece porque a sociedade, que vive constantes mudanças culturais e tecnológicas, é construída pelo homem, o qual alimenta seu raciocínio através da literatura que lê.

De tal maneira, o REALISMO e o NATURALISMO, surgem na Europa no fim do século XIX, sob influência das ciências positivistas de Hipólito Taine (1828-1893) que procurou explicar a produção artística em geral. Na sua teoria determinista o ser humano é produto de três fatores: a raça, o meio (geográfico e social) e o momento histórico (ODILON, 2003, p.317).  Os escritores que tendem mais para o viés NATURALISTA pensam em suas personagens como pessoas que estão em um espaço “deslocado” do natural, logo, sofrem mudanças por causa disso.

Sendo assim, todas as manifestações artísticas do realismo buscavam representar uma sociedade que vivenciava eventos da revolução industrial, como o surgimento da lâmpada elétrica, do telégrafo, do telefone, do automóvel, etc. Adotando uma visão materialista e cientificista do mundo em sua forma mais natural possível, de modo que, aqui não cabe mais as “fantasias” do homem romântico.

Um pouco de História e Literatura...

O contexto social era o seguinte, em Portugal, marcava-se o início do Realismo-Naturalismo em 1865, ano da publicação de Odes Modernas, de Antero de Quental. Em 1871, a Conferência do Cassino Lisbonense, organizada por Quental, consolida de vez a chegada do Realismo-Naturalismo.

O romance realista faz a aplicação e retratação da realidade, destacando os erros e desvios do comportamento humano, para possibilitar sua “correção”. Em 1857, a obra Madame Bovary, do francês Gustave Flaubert, é publicada com o objetivo de apontar esses “desvios” a partir da história de uma mulher adúltera. Fato que foi um escândalo para igreja católica, a qual intimou e processou a revista em que o autor trabalhava.

A rejeição dos escritores, da escola anterior às “ideias realistas” dos novos escritores, acabou ficando conhecida como a Questão Coimbrã, que foi uma polêmica em que Antônio Feliciano de Castilho (poeta romântico) respondeu criticamente ao poeta realista Antero de Quental, com uma carta aberta intitulada como “Bom senso e bom gosto.” Para Castilho, esses elementos estavam faltando na literatura realista.

Esse tema pode cair nas questões do ENEM, então, fica ligado(a)! Vale a pena atentar para esse fato, pois pode te auxiliar a interpretar uma questão, já que nesse contexto, a “Questão Coimbrã” pode vir também como polêmica do “Bom senso e bom gosto”.

As principais características do Realismo/Naturalismo são:

  • A busca da objetividade (foco no valor documental da narrativa);
  • Sobriedade de estilo com linguagem mais simples (para época);
  • Interesse voltado para o presente, pois o escritor realista costuma analisar/criticar os costumes da sociedade que está imerso;
  • Uso de ironia e sarcasmo nas narrativas e preocupação com a psicologia dos personagens.

Alguns nomes de destaque do Realismo/Naturalismo europeu são:

  • Antero de Quental (1842-1891) - Nasceu nos Açores, e em sua militância política empregou-se como tipógrafo para conhecer a vida do proletariado (já que vinha de uma família de aristocratas) e pôr em prática seu ideário socialista e humanitário. Sua produção poética divide-se em romântica, realista e metafisica.
  • Cesário Verde (1855-1886) - Esse era de origem humilde, mas conseguiu se formar em Letras e se destacou por tratar temas rurais e urbanos de maneira sensível. Seu lirismo era marcado pela objetividade descritiva.
  • Eça de Queiroz - Formado em Direito, ele foi colega de Quental e iniciou sua carreira literária em 1866. Em 1875, com o romance O crime do padre Amaro, Eça ganha destaque como escritor comprometido com o saneamento moral da sociedade. Ele também escreveu O Primo Basílio (1878), A Relíquia (1887), Os Maias (1888), etc.

Realismo e Naturalismo no Brasil

A Literatura subversiva que marca a passagem do Brasil Imperial para o Republicano.

Em nosso estudo anterior (sobre o romantismo) dissemos que Machado de Assis também transitou naquela estética (romantismo). Contudo, aquela fase compreendia um escritor tímido que escrevia contos e crônicas. Pois então, o autor se firma como “O cara”, “O escritor” quando publica Memórias Póstumas de Brás Cubas (1880), seu quinto romance realista. Próximo a essa publicação, é possível destacar também O Mulato (1881) de Aluísio Azevedo, marcando com “chave de ouro” chegada do realismo brasileiro, nessa obra o autor se baseia na teoria determinista para explicar a situação de racismo que sofria o protagonista.

Como as escolas literárias são marcadas pela ruptura entre a tradição e novo, no Brasil o Realismo também se contrapõe ao Romantismo. Com o objetivo da narração por uma visão crítica e objetiva da sociedade, os romances realistas tendem a “fotografar” a sociedade de sua forma mais natural possível para mostrar ao leitor outra perspectiva de arte.

Por essa perspectiva, a literatura não está mais restrita a deleite e entretenimento, a sociedade continuava ansiosa aguardando cada capítulo que era publicado em folhetins, para ver qual grupo ou sujeito social seria exposto e criticado nos romances.                                                                                                              

Em Machado de Assis temos um “defunto autor” que faz uso da ironia e o sarcasmo para criticar a mediocridade da aristocracia do Rio de Janeiro com temas como: o adultério, a escravidão, os casamentos políticos, etc. Em Aluísio Azevedo tem-se a história de um mulato (filho bastardo), fruto da relação entre uma escrava e um fazendeiro, que sofre preconceito e, quando adulto, tem seu romance impedido por causa da sua cor. Em geral, o romance critica a sociedade tradicional maranhense e o preconceito racial, através do sofrimento do protagonista.

Vale ressaltar que, apesar de terem ideais parecidos e ocorrerem simultaneamente, as estéticas Naturalistas e Realistas têm suas peculiaridades. Ambas se voltam para análise da realidade, entretanto, a primeira tem a abordagem por um olhar científico, ou seja, a literatura é concebida como um espaço de experimentos. Sabe quando um bichinho é colocado em um laboratório para ser observado de acordo com intervenções que sofre? Então, os personagens da narrativa naturalista são esses bichinhos, e suas formas de interagir em ambientes estranhos deve expor os “desvios” da sociedade.

Esperamos que esse conteúdo tenha te ajudado! Bons estudos!

 

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REFERÊNCIAS

LEME. Odilon Soares. Linguagem Literatura Redação. São Paulo: Editora Ática, 2003.

 

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