Brasil Colônia parte VI: continuação do processo do ciclo do ouro!

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Brasil Colônia parte VI: continuação do processo do ciclo do ouro!
TEXTO ELABORADO POR: Prof. Carlos Paulo dos Santos

Olá, galerinha! Como vocês puderam notar no título, o post de hoje é a continuação do assunto que iniciamos semana passada, sobre o ciclo do ouro. Quem perdeu o post anterior da nossa série de Brasil Colonial, não se preocupe! Para conferir e ficar por dentro do assunto, basta clicar aqui.

Vamos lá! 

Recobrando as esperanças de ouro e outros metais e pedras preciosas, muitos saíram em busca de riquezas nos sertões de dentro. As principais figuras desse processo são os Bandeirantes retratados na “figura 1”. Estes eram, geralmente, filhos de europeus com nativos, tinham pele escura e cresceram como naturais da terra, contudo, mantinham-se relativamente semelhantes aos brancos, eram homens livres. Sendo assim, detinham grande conhecimento sobre como adentrar as áreas desconhecidas pelos colonizadores, uma vez que aprenderam, no convívio, e mantinham relativa mobilidade social. A principal trupe, por assim dizer, era proveniente de integrantes paulistas, os quais, por volta de 1702, encontraram os primeiros resquícios do ouro de aluvião.Professor, o que é ouro de aluvião?”. O nome é estranho, mas é usado para definir uma coisa simples: ouro de aluvião é ouro encontrado nas margens de rios e córregos.

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O primeiro exemplar encontrado não era douradinho, como conhecemos normalmente, na verdade, era, mas estava recoberto por uma camada de minério de ferro, o que o deixou com a cor escura, quase preta. Inclusive, esse ouro preto deu nome a uma cidade muito importante no caso do período aurífero: a cidade Ouro Preto, no estado de Minas Gerais. Considerado o principal estado minerador do Brasil, ao lado de Mato Grosso e Goiás, esta cidade era a então recém formada Vila Rica, capital da também recém criada capitania de Minas Gerais, em 1720.

Com o advento da descoberta do ouro, muitas coisas mudaram drasticamente no contexto do Brasil colônia. Vejamos:

  • O ouro passa a ser a principal fonte de geração de renda da colônia e de Portugal;
  • Ocorre a mudança do centro econômico do Nordeste para o Centro-Sul;
  • Ocorre a mudança da capital administrativa da colônia de Salvador para o Rio de Janeiro;
  • Progressiva urbanização da colônia e êxodo rural (migração da população do campo para as vilas mineiras);
  • Aumento do tráfico negreiro.

Contudo, é preciso nos lembrar de uma coisa: no local que tem riqueza, sempre há confronto e embates. Nesse sentido, para não deixar passar em branco, temos, nesse período, a conhecida Guerra dos Emboabas. Esse confronto perdurou de 1707 a 1709. E teve como causa a insatisfação do pouco espaço que, segundo os bandeirantes paulistas, era legado a eles pela coroa, em detrimento da ampla exploração realizada por europeus e outros povos de várias regiões do Brasil, sobretudo, a Nordeste, que foram para Minas em busca de enriquecimento. Emboabas era como os bandeirantes chamavam esses imigrantes. Os paulistas foram derrotados e banidos das terras, porém, foram perdoados em 1717, uma vez que apenas eles sabiam as técnicas adequadas para descobrir novas localidades onde o ouro poderia ser explorado. As terras, então, foram subdividas para exploração através do sistema de Datas, que eram lotes de terras sorteados para os que se propunham e tinham dinheiro e meios para extração do minério.

Com um fluxo tão grande de pessoas em busca de explorar as terras mineiras e encontrar o precioso metal, a coroa portuguesa precisava proteger as suas posses a fim de que o ouro não escoasse para o exterior sem lucro significativo para os cofres reais. Assim, várias medidas foram adotadas. Vamos listar algumas:

  • Proibição da migração de portugueses para o Brasil;
  • Implantação de impostos: Quinto, Capitação e Derrama.


Esses impostos foram, em grande parte, causadores do tráfico de ouro por vias alternativas, o quinto, por exemplo, consistia no pagamento de 20% do ouro em barra que saía de Minas para exportação (sim, o ouro tinha que sair em barras e com o selo real, gravado apenas nas Casas de Fundição, como mostra a “figura 2”). Daí, teremos o termo “Quinto dos Infernos”. Já a Capitação era o imposto pago em cima de cada escravo que o minerador dispunha na extração do ouro. Se ele não tivesse escravos, pagaria o imposto sobre ele mesmo. Vê se pode algo assim! Imagina você trabalhar e ainda ter que pagar parte do que conquistou para um rei lá de longe. A derrama era o fim da picada, a dor maior no bolso do minerador, era calculado um montante de, aproximadamente, 1500 quilos de ouro que deveria ser pago durante o ano à Coroa. Vale ressaltar que esse tipo de imposto foi estabelecido já no final do século XVIII, ou seja, já tínhamos o ciclo aurífero em sua decadência pela escassez. Se, no auge, já seria muito a se pagar, imagina agora que o ouro estava difícil de encontrar (isso ainda vai dar em briga mais na frente).

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Por fim, tudo que é bom dura pouco. O ouro, amplamente explorado por volta de 1748, ficou cada vez mais difícil de encontrar e as cidades tiveram suas populações muito reduzidas com a saída de volta para o campo, tendo em vista a busca de nova forma de subsistência para aqueles que eram o chão da produção, isto é, a camada pobre, como também para os mineradores que já não viam a mineração como lucrativa, e buscaram isso através da agricultura, pecuária e a manufatura.

 

Esperamos que você tenha gostado do conteúdo! E, caso tenha perdido as outras partes da nossa sequência, é só clicar nas partes a seguir: IIIIII, IV e V.)

 

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REFERÊNCIAS

FURTADO, C. Formação econômica do Brasil. 32. ed. São Paulo: Companhia Editora Nacional, 2005.

FAUSTO, Boris. História do Brasil. São Paulo: Edusp, 1996.

PRIORE, M. L. M. Histórias da Gente Brasileira - Colônia. 1. ed. São Paulo: Leya, 2016.

SCHWARCZ, Lilia Moritz; STARLING, Heloísa Murgel. Brasil: uma biografia. 1. ed. - São Paulo: Companhia das Letras, 2015.

 

 

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